As mídias analógicas são vitais no mundo digital.
A mídia física também pode ser a solução para a falta de atenção e a ansiedade que assola nossa sociedade acelerada.

Por Edcarlos Soeiro
Publicado em 17/06/2025 17:05 • Atualizado 14/12/2025 00:24
Meu estúdio em casa, onde aprecio minha coleção nas horas vagas.
Embora os serviços de streaming tenham sido uma grande vantagem para o acesso a músicas e filmes, é importante reconhecer a importância de possuir uma gravação física da música ou do filme e série que você ama. Um bom acervo de entretenimento em áudio ou vídeo acaba se tornando parte de você e da sua história, se entrelaçando com suas emoções, e é uma pena quando ele desaparece e permanece apenas na sua memória. E, como defensor da mídia física, venho apresentar nesse artigo alguns argumentos que comprovam a sua importância no que diz respeito à propriedade, preservação e acessibilidade.
Mídias como DVDs, livros e CDs, você possui e controla o que compra. Já o conteúdo digital está geralmente vinculado a plataformas de propriedade de (Netflix, Amazon, Disney), dentre outros. Se um desses streams perde os direitos de licenciamento ou opta por modificar seu catálogo, o conteúdo pode ser removido ou alterado sem o seu consentimento. Filmes ou programas de televisão podem ser editados, remasterizados ou até mesmo substituídos completamente sem que você seja consultado, sem falar que o valor que você assina mensalmente não dá direito a todo o conteúdo da plataforma, quase sempre precisamos pagar a mais para assistir essa ou aquela atração.
Ao contrário do conteúdo digital, que pode ser removido ou restringido por um provedor de serviços, a velha mídia física da qual eu não abro mão permanece acessível enquanto você tiver o equipamento necessário para usá-la, sem a necessidade de assinaturas ou contas para acessar o conteúdo, sem a menor necessidade de sinal de internet, por exemplo. A mídia física é uma ferramenta vital para a preservação de conteúdo original. As plataformas digitais sofrem atualmente muita pressão de agendas progressistas que frequentemente rotacionam ou removem conteúdo, editam ou censuram conteúdo original com base em mudanças nas normas sociais, tudo fruto de um liberalismo desenfreado que na maioria das vezes não respeita os valores familiares tradicionais que têm sido, desde o início dos tempos, a base de uma sociedade estável. Eles chegam muitas vezes a modificar o sentido de obras originais para estabelecerem suas pautas. Exemplos disso incluem jogos eletrônicos que recebem atualizações, livros que são reescritos ou filmes que têm cenas removidas ou alteradas. As cópias físicas preservam a versão original tal como foi criada, garantindo acesso integral a filmes, músicas, livros e jogos que, de outra forma, poderiam desaparecer.
Os recursos analógicos oferecem acessibilidade superior, pois não dependem de conexão com a internet ou servidores externos, sendo uma opção confiável em áreas com internet precária ou durante interrupções. Lembro-me muito bem de algumas situações que já passamos aqui em casa durante a temporada de inverno, quando o fornecimento de internet fica muito precário, sempre oscilando e caindo a conexão, uma verdadeira chatice, especialmente quando você tem crianças de férias em casa. Felizmente, desde a minha adolescência sou um colecionador de filmes e séries, iniciei com o VHS e atualmente tenho quase 600 filmes originais em DVD e Blu-ray. Hoje tenho espalhados pela casa aparelhos de DVD, Blu-ray, toca-discos e CD players, sem falar numa grande quantidade de livros. Meus filhos adoram explorar as capas dos DVDs e CDs sempre antes de assistir ou ouvir. Eles sempre encontram algo novo no conteúdo visual das mídias, que muitas vezes inclui letras das músicas, sinopses, fotos exclusivas, créditos da produção, dedicatórias e informações adicionais sobre o álbum e o artista. Isso aprofunda a compreensão deles e os conecta com a obra.
Não quero condenar ninguém por manter seus serviços de streaming, especialmente porque eu ainda uso alguns, para acompanhar a transmissão dos meus esportes favoritos e quando viajo com a família e preciso entreter meus filhos, mas tenho muito orgulho da minha coleção de mídia física e estou sempre à procura de boas ofertas e na esperança de encontrar uma cópia em bom estado de um filme ou série que eu goste. No entanto, muitos amigos me perguntam constantemente por que ainda coleciono Blu-rays e vinis quando posso assisti-los e ouvi-los facilmente online. A resposta para essa pergunta é bastante óbvia: quando eu substituo o digital pelo analógico em minha vida, eu me torno livre de distrações. Seja ouvindo um disco ou lendo um livro. As mídias analógicas ajudam a aumentar a minha capacidade de concentração. Ouvir um bom disco do início ao fim me permite entrar num espaço onde posso permanecer, sem interrupções, com os meus próprios pensamentos e emoções, os quais eu conquistei com muito esforço ao longo de uma vida, só assim me sinto em paz com meu espírito que repousa em minha morada.
A mídia física também pode ser a solução para a falta de atenção que assola nossa sociedade acelerada. Ouvir um álbum inteiro em vinil ou esperar a revelação de um filme nos obriga a dedicar tempo, fazer uma pausa e estar atentos à arte que estamos consumindo. Isso nos permite conectar com a arte em um nível muito mais profundo do que seria possível por meio do digital. A mídia física nos permite um ritmo de vida mais lento, algo que, na minha opinião, perdemos e do qual precisamos desesperadamente. Antigamente, era preciso esforço para ir ao cinema e para alugar um filme. Tudo nos forçava a desacelerar, mesmo que minimamente. E isso era bom. Por isso, eu encorajo todos vocês que leram esse artigo a iniciarem em um cantinho da estante ou em uma pequena prateleira a sua própria coleção e passem a ser proprietários que selecionam com zelo o conteúdo que você e sua família consomem. É mais seguro e prazeroso. É vital!
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